
Conheça Nossa História de Amor, Luta e Inclusão
No centro de cada grande movimento social existe uma história de luta e propósito. A história do Instituto Viver Ítalo é um testemunho pungente da força do amor familiar e da incansável busca por uma vida digna. Nascido da jornada pessoal de Alberto e Emília Giovannini, o Instituto Viver Ítalo é a materialização de um ideal, uma promessa de viver em plenitude, desafiando preconceitos e quebrando barreiras em nome da saúde e da inclusão.
As Raízes da Rebeldia e da Compaixão

Alberto, filho de um combatente antifascista italiano que encontrou refúgio no Brasil, herdou um gene de luta contra a opressão. Sua infância foi na área rural de Mogi das Cruzes. Imerso na natureza, em sítios e fazendas, cultivou um amor profundo por plantas e animais. Mais tarde, como farmacêutico no SUS, testemunhou a ineficácia dos medicamentos tradicionais na cura de muitos, renovando seu interesse pelas plantas medicinais e pela redução de danos.
Emília, por sua vez, carrega em sua história a determinação de uma família nordestina que migrou para São Paulo em busca de uma vida melhor. Desde cedo, a necessidade a impulsionou ao trabalho e, mais tarde, ao curso técnico de farmácia, movida pelo desejo de cuidar e ajudar. Sua experiência em uma indústria farmacêutica, onde pacientes eram reduzidos a números em ensaios clínicos, revelou-lhe a dura realidade de um sistema focado em manter a doença, um círculo vicioso que a marcou profundamente.
A maternidade típica e atípica
A primeira gestação de Emília, que resultou no nascimento de sua filha Hanna, em 2008, foi um período de grande alegria e expectativa para o casal. Foi uma gravidez bem esperada, bem planejada, sonhada pelo casal. Nas palavras de Emília, “foi tudo perfeito sem sequer uma dor de cabeça, uma experiência muito sensacional”. Hanna nasceu “uma menina grande, um 3kg e meio, a coisa mais linda”.
No entanto, mesmo com a felicidade da chegada de Hanna, Emília, que tinha 37 anos na época, enfrentou o desafio de conciliar a vida de mãe, esposa e funcionária. Essa dificuldade acabou impactando sua produtividade no trabalho, levando à sua demissão da indústria farmacêutica. Essa gestação contrasta nitidamente com a de seu segundo filho, Ítalo, que veio apenas um ano depois e não foi planejada.
A segunda gravidez de Emília foi um período de desafios: depressão, infecções e uma pressão arterial perigosamente alta. Desde o momento em que Ítalo chegou ao mundo, Alberto e Emília sentiram que algo era diferente. Suas intuições, porém, foram repetidamente descartadas por médicos como “depressão pós-parto” ou “procurar chifre em cabeça de cavalo”.
Somente após muita de luta, que Emília e Alberto finalmente obtiveram um pré-diagnóstico de autismo e retardo para Ítalo. A confirmação oficial do diagnóstico de autismo ocorreu apenas aos três anos de idade, após uma exaustiva bateria de exames, incluindo eletroencefalograma, cardiograma, exames de rim, laboratoriais, exames de imagem, fundo de olho, audiometria e encaminhamento a geneticistas. Esse processo tinha o objetivo de “descartar hipóteses” e foi vivido como um período de “luto” que deixou a família “sem chão”.
O diagnóstico mergulhou a família em um luto profundo, deixando-os sem chão: “A gente perde o direito de morrer”. A preocupação sobre o futuro de Ítalo, sua dependência e quem cuidaria dele quando eles não estivessem mais presentes, tornou-se uma angústia constante. Emília já temia que seu filho fosse como os casos mais severos de autismo que ela pesquisara, sem fala e agitado.
A Cannabis Medicinal: Uma Luz no Caminho
Emília se dedicou a estudar sobre autismo e seus tratamentos. Em Suzano, antes mesmo de pensar na cannabis, Emília organizava grupos e atividades para mães de crianças neurodivergentes, promovendo campeonatos com obstáculos, corridas, e atividades de lazer para as mães, como arrumar cabelo e pintar unhas. O objetivo era proporcionar um dia diferente para as crianças e dar um respiro às mães, resgatando a energia delas.
Foi diante da persistência dos sintomas de Ítalo e da busca incessante por soluções que a família, eventualmente, considerou a cannabis medicinal, após o casal ter tido contato com o uso da planta em pacientes com problemas de satúde mental.

Nesse contexto de desespero que a Cannabis Medicinal emergiu como uma esperança. Emília, com sua experiência anterior em saúde mental e uma pesquisa informal sobre Cannabis com pacientes usando psicotrópicos, começou a acreditar que a planta poderia ajudar Ítalo.
Com coragem e determinação, eles iniciaram o tratamento de Ítalo com uma tintura de Cannabis feita de uma planta macho que cultivaram, observando as primeiras reações positivas. A busca por conhecimento os levou a Mogi das Cruzes, onde aprofundaram seus estudos sobre o óleo de Cannabis e conseguiram sua primeira planta “Charlotte’s Web”, que trouxe resultados ainda mais promissores.
O acesso, no entanto, era uma batalha árdua. Consultas caras com médicos particulares, o custo exorbitante dos óleos importados ou de associações distantes da sua realidade financeira, e a dificuldade de encontrar uma dosagem ideal entre THC e CBD, foram obstáculos constantes. Forçados pela necessidade, tomaram a decisão de cultivar suas próprias plantas, uma iniciativa que culminou na obtenção de um Habeas Corpus, garantindo o direito de cultivar legalmente para o tratamento de Ítalo.

O Instituto Viver Ítalo: Multiplicando Saúde
A experiência transformadora com Ítalo, que antes era isolado e não gostava de toque e que agora abraçava e interagia socialmente, trouxe à família de volta uma vida social que parecia perdida. Esse impacto positivo não se restringiu a Ítalo: irradiou-se para a família, vizinhos, escola e terapeutas, demonstrando que o tratamento do paciente beneficia toda a comunidade.
Impulsionados pelo desejo de compartilhar esses benefícios e lutar pelo direito de outros, Alberto e Emília transformaram seu movimento em um instituto, batizado de Viver Ítalo – um nome que evoca tanto o filho amado quanto a “VIda VERde” das plantas medicinais. Mais do que isso, o “Viver” representa o resgate do “prazer de viver” para pacientes e, sobretudo, para os cuidadores, as mães atípicas, que frequentemente perdem sua própria identidade e bem-estar no cuidado incessante.
Hoje, o Instituto Viver Ítalo atua em diversas frentes
Para Alberto e Emília, o conhecimento é a ferramenta mais poderosa para quebrar preconceitos, lutar contra o sistema e garantir que todos tenham o direito de viver plenamente. O Instituto Viver Ítalo não é apenas uma bandeira, mas um porto seguro para aqueles que buscam uma nova forma de viver, com saúde, dignidade e respeito.

Conscientização e Educação
Através de conferências, simpósios, rodas de conversa e congressos, o Instituto dissemina conhecimento sobre tratamentos naturais e Cannabis Medicinal, combatendo o preconceito e empoderando as pessoas com informação para que tomem decisões seguras e conscientes sobre sua saúde

Apoio Legal e Acesso
O Instituto oferece assistência na organização de documentos para a obtenção de Habeas Corpus para o cultivo de Cannabis, já tendo conquistado cerca de 20 permissões. Ele luta para que a Cannabis seja vista como a primeira opção de tratamento, e não o último recurso, desafiando o sistema que impõe barreiras financeiras e burocráticas ao acesso.

Suporte e Resgate Social
Continuam a promover encontros e atividades de lazer para as mães atípicas e seus filhos, buscando tirá-las do ostracismo do mundo e lembrá-las de que “o primeiro remédio é você ter o prazer de viver”.

Formação de Profissionais
O Instituto foi pioneiro em oferecer cursos sobre Cannabis na região, atraindo uma rede multidisciplinar de profissionais — psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas, veterinários e dentistas — que agora colaboram com a causa.
Transforme vidas unindo-se à nossa história de amor e dedicação.

